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9 de Abril de 2020

Ter de agachar, nua, para ser revistada é inadmissível

"Acham que somos culpadas por eles estarem lá". Revistas vexatórias torturam mulheres e crianças, física e psicologicamente

Pragmatismo Político
Publicado por Pragmatismo Político
há 6 anos

Ter de agachar nua para ser revistada inadmissvel

Revista vexatória trata inocentes como culpados (Reprodução)

No domingo passado, a caminho da casa da minha avó, passei em frente a Penitenciária Dutra Ladeira, localizada no município de Ribeirão das Neves/MG. Sob o sol do meio-dia, uma imensa fila de mulheres – jovens e idosas -, e algumas crianças aguardavam o momento de entrar em mais um dia de visita. Muitas estavam lá desde às cinco da manhã.

Outra fila se formava nas imediações da Dutra. De ônibus e carros. Motoristas diminuíam a velocidade gradativamente para verem de perto as mulheres que, cheias de sacolas nas mãos, contornavam o muro do presídio. Pareciam estar diante de um verdadeiro zoológico humano, tal qual ocorria na Europa no final do século XIX. Sem qualquer tipo de proteção, a elas eram dirigidos olhares carregados de fetichismo, desprezo e escárnio.

VEJA TAMBÉM: "Mulher que posa para fotos íntimas não cuida da moral"

Se do lado de fora a espera é longa, do lado de dentro da penitenciária, mulheres e crianças são condenadas pelo “crime” de ter parentesco com os detentos.

Como pena, são submetidas a revistas vexatórias, que violam os seus corpos e ferem a sua dignidade. Uma garota, a quem chamarei de G. C., me contou que são obrigadas a se despir por completo, fazer agachamentos e abrir o ânus e a vagina com as mãos para provar que não portam drogas, armas ou chips de celulares. Tudo sob o olhar de agentes penitenciárias e das crianças. Uma verdadeira afronta à Constituição com a conivência do Estado.

Com autorização de G. C., cujo pai e namorado estão encarcerados, reproduzo o que ela me relatou:

A visita é humilhante. Você entra numa sala com uma agente penitenciária. Daí, tira a roupa toda e agacha três vezes. Depois, deitamos em uma maca e abrimos as pernas. Fazemos força, é força mesmo. Eu chorava depois disso. Tínhamos que abrir a boca para elas verem se não tinha nada escondido. Depois soltar o cabelo. Eu chegava no pátio para ver o meu namorado chorando, pois [as agentes] acham que somos culpadas por eles estarem lá. Elas olham a comida perto do lixo. Cortam o biscoito todo e ainda por cima ficam reclamando, pois enchemos as vasilhas. Só sabemos se o preso está de “castigo” ou foi transferido na hora, pois eles não ligam para avisar.

Ao reler essas palavras, fui tomada por uma sensação imensa de impotência. O que fazer diante de tamanha violência?

Não tenho a vaga noção do que é passar por tudo isso. Meu pai, meu irmão, meus amigos não estão presos. Minha mãe também não. Minhas irmãs já se foram. Não tenho filhos. Jamais cruzei os portões de uma casa de detenção. O mais próximo que cheguei desse universo foi através da leitura de alguns artigos da antropóloga Alba Zaluar e de “Estação Carandiru”, livro do médico Dráuzio Varela. Ouvindo “Diário de um detento”, dos Racionais Mc’s, pude imaginar. Somente imaginar… Porém, nada disso impede que eu fique indignada diante de tamanha violência e opressão.

Em busca de algo que sinalizasse uma esperança, mesmo que remota, de reversão dessa situação degradante vivenciadas pela garota e pelas mulheres e crianças da fila, descobri que, segundo dados da Organização Rede Justiça Criminal, no Estado de São Paulo, entre 2010 e 2013, de cada 10.000 visitantes, apenas 0,03% portavam itens considerados proibidos. Tais números revelam que o objetivo dessas práticas além de humilhar as mulheres, é inibir as visitas, uma vez que muitas desistem de visitar seus filhos e companheiros para não terem que passar por esse tipo de abuso.

Descobri que aguarda votação na Câmara dos Deputados o projeto de lei de autoria da senadora Ana Rita (PT-ES), que proíbe a realização de revistas vexatórias. Um alento!

Descobri ainda que a Rede Justiça Criminal lançou uma campanha nacional contra as revistas íntimas nos presídios. Através do seu site é possível enviar mensagens ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, solicitando que o projeto de lei seja aprovado com urgência.

Descobri também que, além de lamentar e me indignar, podemos participar, exigir o fim dessas revistas degradantes e desumanas, como outras pessoas e grupos já fazem.

G. C., talvez você não leia esse texto, mas ele é para você, que generosamente partilhou comigo memórias tão íntimas e dolorosas. É para todas as mulheres e crianças que eu vi na fila na porta da penitenciária. Para todas as mulheres que, pelo fato de terem seus companheiros, filhos ou amigos reclusos atrás das grades, são torturadas física e psicologicamente. Para as mulheres que todo domingo têm a sua condição humana negada. Luana Tolentino é professora e historiadora. É ativista dos movimentos negro e feministas.

Fonte: Pragmatismo Político

278 Comentários

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Concordo em parte com o que foi acima explanado, pois a revista não pode deixar de acontecer, não se pode simplesmente deixar de revistar, pois vidas correriam risco la dentro, principalmente dos agentes. A revista que ocorre de forma vexatória infelizmente ainda é em muitos locais a unica forma de inibir a entrada de celulares, armas e drogas nos presídios e centros de internação. O que precisa, aliado a aprovação deste projeto de lei, é o investimento em aparelhos que possam detectar a presença de qualquer coisa ilegal sem sequer tocar no individuo, mas isso é utopia e particularmente acredito que esta lei sera aprovada, mas como de costume ira atender somente um dos lados envolvidos nesta demanda. continuar lendo

Concordo plenamente com você colega. continuar lendo

Há equipamentos de escaneamento que detectam objetos sólidos no corpo humano. Mas o sadismo de quem "revista" mulheres em presídio dá preferência a vê-las agachadas com abertura vaginal, bem acentuada, afirmando a todos que nessa parte íntima podem estar escondidas chips, pilhas e até mesmo as partes externas de um celular.

Outro detalhe é que celulares e outros objetos continuam entrando nos presídios em grande quantidade, a despeito de todas as humilhações pelas quais crianças e mulheres passam. Será que advogados e agentes penitenciários também passam por revista vexatória? Acredito que não... continuar lendo

A grande questão é: com tanta revista, como é que os presídios tem todo tipo de aparelhos eletrônicos, entre outros produtos? Parece uma grande hipocrisia as revistas, pois elas não impedem a entrada de qualquer material indevido. continuar lendo

Fernando Claudio Teles da Silva, vc não sabe mesmo? São várias formas. Eu, particularmente sei de uma. Sou advogada e já passei por vexame tb, pq estava com sutiã com bojo, que tem uma aro, e quiseram que eu tirasse... eu me recusei e disse que eles estão cansados de saber por onde entra tudo isso no presídio. Quase fui esfolada. Tive que falar até com o Diretor, e no final, não consegui ver meu cliente. E adivinha o que a Comissão de Prerrogativas da OAB fez? Se sua resposta foi NADA, acertou! continuar lendo

Uma Oração muito conhecida por todos: "O que os olhos não veem e os ouvidos não ouvem, o coração não sente (1Cor 2:9)" continuar lendo

O interesse da coletividade sobrepõe-se ao subjetivismo individual.
Nada de constrangimento nas buscas, aliás, a alternativa pragmática.
Além disso, o mundo do crime também usa esse sensacionalismo para beneficiar-se e continuar alimentando esse problema gravíssimo das drogas e celulares, comandando tráfico e aplicando golpes dentro de presídios. continuar lendo

Caro Luis Soares, que existem equipamentos mais adequados para fazer revista corporal não resta duvidas, mas cadê? Mas acredite ou não, a afirmação de que objetos são introduzidas nos orifícios íntimos para ingressarem nos presídios e centros de internação é verdadeira. Não generalize dizendo que os responsáveis pelas revistas intimas setem prazer nisso, grande maioria são profissionais competentes e éticos, que simplesmente cumpre o que lhes foram predeterminado, ao contrario do que você imagina, em determinados casos eles próprios ficam constrangidos, pois também entendem que muitos não deveriam passar por isso, porem, por uma questão de profissionalismo e para não dar motivos para reclamação, executam o mesmo procedimento em todos. Concordo com seu comentário quando trata da corrupção por parte de alguns agentes e advogados que por não passarem por revista minuciosa acabam colaborando com o crime, porem, como dito antes, a grande maioria dos agentes responsáveis pela segurança nos presídios e centros de internação são profissionais éticos, mas infelizmente como em todas as profissões, existe a banda podre que corrompe o sistema. continuar lendo

Luis Soares: Advogados acredito passariam pelo equipamento, mas e os agentes? Aqui em Manaus instalaram um detector de metais na vara do trabalho. Os únicos submetidos à revista eram os advogados, os membros passavam direto... continuar lendo

Concordo com voçe Jamil, infelismente o nosso paiz está muito atrés dos outros paizes em relação a muitas coisas. Esse projeto com certeza será aprovado e irá beneficiar apenas uma das partes deixando assim toda equipe de segurança pública que trabalham nos presidios e penitenciarias a mercer de rebeliões e ataques cada vez mais violentos.
A noção de direitos humanos se perdeu com o tempo, a muito que trabalham mais por estatos e para confrontar a lei, o que é uma vergonha para o nosso paiz, mais nóis podemos nos manifestas apenas dessa forma . continuar lendo

prezado, acredito que a insuficiência tecnológica brasileira não legitima a prática medieval da revista íntima nos presídios e penitenciárias ao redor do país. Além da tortura mencionada pelo Autor (referente às mulheres e crianças que são vítimas de tais práticas) há nítida tortura aos próprios presos ao terem de conviver com a exposição constante e degradante de suas mulheres, filhas, filhos, mães, etc. Assim sendo, por hermenêutica constitucional, é completamente ilegítima penas desumanas ou degradantes. A revista intima, abusiva por sua própria natureza, acaba por compor parte da pena a que o indivíduo é submetido, o que é obviamente vedado pela constituição federal de 88. abraço continuar lendo

Não importa a situação, nada justifica esse tipo de humilhação. O Estado que se vire e ache um meio de encontrar os culpados sem torturar os inocentes. Pela sua lógica, a polícia deveria fazer revistas regulares em todas as casas de todas as pessoas a fim de encontrar objetos ilícitos. Pegaria muita gente, é fato, mas você com certeza não está disposto a passar por isso. Nem eu. Nem ninguém. continuar lendo

Concordo que este tipo de revista fere a dignidade humana e deve ser abolido. Porém abaixo a falácia:

"descobri que, segundo dados da Organização Rede Justiça Criminal, no Estado de São Paulo, entre 2010 e 2013, de cada 10.000 visitantes, apenas 0,03% portavam itens considerados proibidos."

O trecho acima citado dá a impressão de que a revista é desnecessária, pois as visitantes não levam drogas, celulares e armas para os presídios (os mesmos lá entram por outros meios). Porém estes dados foram colhidos durante a vigência deste sistema que, embora seja perverso, é eficiente.

Ou seja, o trecho reclamado afirma exatamente que esta revista é eficaz naquilo que se propõe: evitar a entrada de armas, celulares e drogas nos presídios.

Porém não é uma forma humana de se agir, havendo sistemas como os de aeroportos (scanners de radiação difusa) que podem cumprir o mesmo papel de forma não degradante. Ainda sendo necessário fechar as outras portas, que não a visita de familiares, que estão permitindo a entrada de ilícitos nos presídios. continuar lendo

Concordo. Identifiquei logo que li também. Hoje 0,03% TENTAM entrar com objetos ilegais e são pegas. E se não houvesse a revista? Será que esta estatística se manteria igual? continuar lendo

Acho que você ficou em cima do muro... continuar lendo

O problema é que não há uma uniformização de procedimento, será que a turma dos mensaleiros permitiriam que seus familiares sofressem esse tipo de vexame? Acho que não, na primeira gritaria a presidente Dilma e o eterno pres.Lula viriam a público para reclamar com o min.JB.

Quem leu a reportagem da Globo com o Marcola (lider do PCC) pode perceber que existem muitas excessões, lembro que ele (Marcola), disse que o Fernandinho Beira-Mar NÃO está preso em Bangu, lá ele tem seu escritório sem ser incomodado por ninguém, afinal quem irá querer acabar com a galinha dos ovos de ouro não é mesmo?

As pessoas que sofrem esse vexame para entrar em dia de visitas, são familiares de presos sem nenhuma importancia no cenário nacional, vá mexer com parentes dos lideres do PCC,CV e criminosos de colarinho branco para ver qual será a reação.

"Aposentados e pensionistas do INSS,NÃO votem em candidatos do PT e partidos aliados,eles estão há 12 anos massacrando os aposentados". continuar lendo

Concordo. Afinal 0,03% de 10000 equivale a três itens proibidos encontrados que podem ser drogas ou chip de celular que será usado por criminosos para ordenar ações criminosas do tipos: queima de ônibus como aquela ocorrida em São Paulo que deixou uma criança morta e várias pessoas feridas. Também concordo que deve haver uma maneira de evitar estas revistas vexatórias, com o uso de equipamento especializado, sendo empregadas estas revista apenas sob forte suspeita do ilícito. continuar lendo

Sinto muito pelo vexame que as famílias dos detentos são obrigadas a se sujeitar, mas vejam neste comentário abaixo como as cadeias da Holanda estão até sendo fechadas por falta de presos. O nosso problema é uma péssima justiça somada a um péssimo sistema carcerário e à impunidade reinante....
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Holanda vai cobrar diárias de presos ...

O Governo holandês, sabiamente decidiu adotar a mesma política da Dinamarca e Alemanha e impor a seus presidiários o pagamento de 16 euros (50 reais) por dia por ficarem atrás das grades. O projeto de lei deriva dos acordos pactuados pela atual coalizão no poder, formada por liberais de direita e social-democratas, e busca duas coisas: obrigar o criminoso a assumir o custo de seus atos e poupar, concretamente, 65 milhões de euros (205 milhões de reais) em despesas judiciais e policiais. Na Holanda existem 29 presídios, sendo que deste total 8 foram FECHADOS POR FALTA DE PRESOS. O Governo holandês diz que o detento é parte integrante da sociedade e se comete um delito tem obrigação de contribuir com os gastos inerentes.

No Brasil é totalmente o contrário. Presídios são construídos todos os anos, são destruídos de vez em quando pelos próprios presos, o detento raramente trabalha e sua família ainda recebe do Governo Federal uma ajuda de custo superior ao salário mínimo.
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Ao que tudo indica nós mesmos estimulamos que o presidiário continue presidiário... continuar lendo

pensei exatamente a mesma coisa quando li. Se a pessoa vai fazer algo errado ela pensa duas vezes quando sabe que será descoberta.Com certeza com a mudança, se não for substituída por algo que também seja eficiente, este índice aumentaria. continuar lendo

Senhores, há muitas coisas erradas no Brasil, a começar que estar preso é fonte de renda para os familiares. Presidiário deveria trabalhar, por oposição ou por imposição, se necessário for. E não trabalhar 8 horas, pelo menos 10 diárias, para que o delito não compense.
Vcs perceberam o trecho "o mais próximo que cheguei desse universo foi através da leitura de alguns artigos da antropóloga Alba..."nao tenho nada contra a antropóloga citada, mas falar sobre algo que não se conhece, me parece no mínimo leviandade.... A revista é vexatória sim, mas ela se faz necessária para que não entre tantas "coisas" que colocariam em risco a vida de muitos no interior dos presídios. Se o detento e seus familiares pagarem pela "estadia" na penitenciária, será justo e necessário o investimento em equipamento de raio x, radiação difusa, etc para que TODOS que entram nas penitenciárias passem por esses aparelhos. Do contrario, estou cansado de trabalhar e pagar impostos para sustentar desocupados, e vejam que não falo apenas de detentos. continuar lendo

José Carlos Fausto Narciso, perfeito seu comentário.... se o Brasil adotasse a mesma política da Holanda ficaria rico!!! continuar lendo

José Carlos Fausto Narciso...se bobear, o detento é considerado como "empregado", nas estatísticas do governo do PT. continuar lendo

Tem que acontecer a revista sim. Vexatório é correr o risco de deixar entrar droga ou coisas proibidas dentro da prisão pra dar privilégios a um bando de vagabundo que já mataram, traficaram, roubaram, estupraram, etc. continuar lendo

Oi Rafael, tudo bom?

Concordo com você, o risco de deixar entrar drogas, armas, celulares e outras coisas na prisão é inadmissível.
Mas acredito que deveria haver um aparelho, como raio x talvez, que pegasse essas coisas sem precisar de uma revista vexatória.

Abraço! continuar lendo

Reitero apoio, mas se você se visse nesta situação, que Deus o proteja de tal, mas alguma mulher conhecida sua, tiver que passar por isso? A empatia pelo vexame não faria brotar um sentimento de inconformação da situação? A revista é essencial, mas desse modo, denigre, e realmente, quem tem alguém a visitar que, como citou "um bando de vagabundo que já mataram, traficaram, roubaram, estupraram, etc", não são os culpados. São pessoas ligadas aos culpados. Ou prefere que a prisão também faça reclusão social, familiar e induza ao esquecimento da pessoa até que morra ou seja liberta? Os entes de criminosos não o são até que se prove o contrário. Devemos apoiar a instituição de aparatos e recursos tecnológicos para isso. Por favor, reveja e apoie novas modalidades de revista. continuar lendo

Concordo plenamente com Moema Fiuza, com o aparelho raio x garantiria a execução da revista sem ferir o principio da dignidade humana estabelecido pela nossa Constituição Federal em seu art. 1-III e art. 5...III.

Lembrando que nenhuma pena passará da pessoa do condenado (C.F art. 5-XLV), ou seja, os visitantes não são obrigados a serem punidos por causa de seus amigos e familiares condenados. continuar lendo

Caros colaboradores,

Admito que meu comentário foi simplista e talvez não tenha mostrado a devida sensibilidade correlata ao assunto.

Porém gostaria de retificar sobre o perigo de entrar substâncias e objetos proibidos dentro dos presídio.

Ainda, gostaria de dizer que concordo, que se há meios alternativos ao atuais exames feitos e que com certeza são menos "vexatórios", então o certo é utiliza-los. Porém não posso me eximir da consciência sobre a real situação dos presídios brasileiros, dos quais são extremamente sucateados e que se quer cumprem sua finalidade de punitiva e de ressocialização do indivíduo.

Porém gostaria de concluir que, no nossa realidade atual, esse não deve ser o foco principal do sistema penitenciário e que a situação explanada acima não é uma situação tão vexatória assim quando se comparado à impunidade trazida pelo Estado. continuar lendo

Perai perai perai, esse é o ônus dos familiares dos bandidos. E os familiares das vítimas??? Como ficam? E o filho daquele zelador da lotérica que tomou um tiro da cara de graça, sem qualquer reação, como fica o dia dos pais para ele? Isso não é vexatório. Isso chama-se o efeito dissuasivo da pena, ou seja,estimular o delinquente para que ele não volte mais a delinquir. Se o fizer, saberá que ele e toda a sua família irão sofrer, a teor, aliás, da família das vítimas de seu ato.

E outra, vamos combinar né, para o cara ser preso ele tem que fazer uma força quase que sobrenatural. Essa história de ladrão de galinha é para inglês ver né.

Sabe como acabar com essa revista íntima. Simples, mande o bandido parar de cometer crimes que sua família nunca mais terá que ser submetida por isso.

Vexame e humilhação, é o pai que teve sua casa invadida por esses vagabundos monstruosos e ter que submeter a todo tipo de subjugação. Isso que é vexame continuar lendo

Minha linha de Raciocínio é a mesma que o Roger Padro.

Rafael de Souza, não podemos nos colocar do lugar do bandido, até mesmo pq se eu, Deus me livre, fosse o bandido da história, eu seria tão culpado quanto os outros que estão ali e seria merecedor disso, e caso meus familiares tivessem que passar por isso, eu pensaria duas vezes antes de cometer um novo crime. E outra: saber que minha mãe, ou minha esposa pode sofrer algo do tipo por uma inconsequência minha, inibe ainda mais a vontade de cometer um crime.

Na minha opinião, pena pra bandido, deveria ser pra ele ter aversão à prisão, mas do jeito que as coisas estão, acontece o seguinte: o cara pratica o crime sabendo que vai preso, sabendo que na prisão irá ter cigarro, televisão, maconhar pra fumar, pó para cheiras e que vai poder usar a própria família pra trazer coisas ilegais pra ele. Dessa forma, bandido nenhum tem medo de ser preso não. Os únicos que tem medo de ser preso, somos nós (que sabemos ter empatia pelo ser humano e por isso não roubamos, matamos ou estupramos) continuar lendo

Lamento o caso mas acho a revista indispensável.
Tenho certeza que se for implantado um sistema de revista por raios X é bem provável que aquela que for revistada declare que tem algum tipo de metal no corpo e que por isso, não poderá passar pelo detetor.
È triste mas acho que não há alternativa. continuar lendo

Sr, Rafael,

Confesso que a parte do ´´dar privilégio a um bando de vagabundos```eu não entendi direito, pois quem esta sendo submetido a constrangimento é o familiar do preso e o familiar na maioria das vezes não tem culpa alguma do crime.

Mas tendo trabalhado 4 anos em um presídio eu concordo que a revista tem que existir e ser o mais rígida possível, ninguém me contou, eu vi de perto essa necessidade, quem fala de aparelho de Raios-x, detectores de metais, PEM (pulso eletro magnético) para inutilizar aparatos tecnológicos, etc, não conhece a realidade do sistema penitenciário, nunca pisou numa cadeia p/ saber como o nosso dinheiro é escorrido pelo ralo da corrupção ao ver que pagamos tão caro por um preso e que a grana não chega a ser aplicada, mas ninguém quer saber disso né, bandido que se lasque e depois ainda exigimos que o cara seja ressocializado diante de tal tratamento.

Sr. Roger,

O ônus que o familiar da vítima recebe é o ônus da passividade de nunca ter participado das questões de segurança de sua cidade, de nunca ter ido a uma reunião com a Polícia, MP, Conselho de segurança, etc, de sua cidade, todo mundo só quem cobrar mas na hora de agir, contribuir, ninguém da um só passo.

De resto eu digo, ninguém esta livre de botar seus pés numa cadeia, seja por causar uma acidente de trânsito depois de tomar aquela cervejinha no fim de semana, seja por não pagar a pensão, etc, ninguém esta livre, e é bonito com os outros mas quando é com um familiar nosso a coisa muda. continuar lendo

Ora é simples acabar com as revistas vexatórias, basta impedir as visitas íntimas e corpo a corpo, isolando as visitas dos presos na forma de alguns presídios americanos, ou seja a comunicação com o preso é feita via fone, separados por um vidro blindado. Pronto solucionado o problema. continuar lendo

Concordo com você, o risco de deixar entrar drogas, armas, celulares e outras coisas na prisão é inadmissível, porém muitas vezes essas drogas não entram através de familiares e sim da própria policia que e corrupta. continuar lendo

Pergunta que talves ficará sem resposta: Na Papuda os familiares de Zé Dirceu,Genoino,João Paulo Cunha,Valério,Delubio e outros presos do mensalão, também passam pelo mesmo constrangimento ou não ?
Porque os governos Estaduais e o Federal não constrói FABRICAS anexas às penitenciarias, com acesso apenas por dentro dos presidios, para que os detentos (e ai estariam incluidos os"famosos"mensaleiros) pudessem trabalhar e assim pagar suas estadias e sustentar seus familiares?Será que é tão dificil assim dar condições de o preso trabalhar lá dentro ? Ou é falta de vontade dos governos ?

"Aposentados e pensionistas do INSS,não votem no PT e partidos aliados, eles estão há 12 anos nos massacrando" !!! continuar lendo

concordo... tinha é que proibir a visitação que somente serve para levar mais problemas ao sistema! continuar lendo

Curioso.!?
Nunca vi ninguém lá dentro assumir espontaneamente a bronca. Como laranja, sim.
Vexatória ou não, a revista íntima é necessária e obrigatória, inclusive nas detentas, especialmente em revistas pós motins, pois é lá que tanto estas quanto aquelas escondem os "bagulhos", cels, estiletes e etc.
As visitas, da mesma forma, muitas se prestam a "mulas" ou objetos sexuais dos chefões para pagar a conta dos parentes "santinhos" que lá descansam, comem, bebem, tem roupa lavada, visita íntima e mais a "bolsa reclusão"!.
Esta falácia é hipocrisia da contracultura que nunca trabalhou em um presídio e frente a escalada da violência contra os cidadãos, inclusive contra os "não de bem", e do tráfico de drogas, uma das maiores movimentações financeiras deste planeta.
Sentou no "banquinho", santo não é.
Juntou-se a ele, coma do seu pão! continuar lendo

Roger Prado concordo com vc!!!! Esse é o caminho! continuar lendo

O Estado tem sempre uma forma de querer se esquivar de sua responsabilidade. Muitas drogas e armas, podem sim entrar através da visita, mas ao meu ver, a maioria das drogas e armas que são usadas pelos detentos, são fornecidas por funcionários públicos corruptos. Se querem tanto impedir que tais coisas adentrem o interior da penitenciária, que criem rotinas rígidas também para os agentes e comprem equipamentos apropriados (similar aos que se usam em aeroporto) para as revistas. O que não pode é violar o direito à privacidade e ferir a dignidade da pessoa visitante. Que o Estado encontre um jeito. continuar lendo

Muito bom, senhor André. continuar lendo

Perfeito Andre, mas te digo que não é apenas a seu ver, a realidade é que as drogas e armas, em sua maioria, são sim postas pra dentro das cadeias pelos servidores corruptos, isso é a triste realidade de um sistema penitenciário retrógrado e falido, infelizmente!! continuar lendo

Concordo com você Igor Vinicius! continuar lendo